Os Primórdios da Paróquia

1. Séculos XVI – XX
O início dos anos 500, marcado pelo encontro ou confronto entre os portugueses e os indígenas que habitavam estas terras, que depois foi chamada de Brasil, foi marcado também pela presença de um grupo de franciscanos missionários, chefiados por Frei Henrique de Coimbra. Um momento histórico nos lembra disso foi a celebração da Primeira Missa no Brasil, em terra firme, ato imortalizado pelo famoso quadro do pintor florianopolitano Victor Meireles.

Nessa época, a Ilha de “Florianópolis” era habitada pelos índios carijós, que a denominavam de Meiembipe. Quando aqui aportou, em 1526, o navegador veneziano Sebastião Caboto batizou-a de Ilha de Santa Catarina. Segundo uns, em homenagem à Santa Catarina de Alexandria; segundo outros, também em homenagem à sua esposa Catarina Medrano.

Foram frades franciscanos espanhóis, os primeiros missionários que evangelizaram os índios carijós em nosso Estado, entre os anos de 1537 e 1548. Seus nomes: Frei Bernardo de Armenta e Frei Alonso Lebrón. Infelizmente, esta missão, que começou de maneira tão auspiciosa que os frades chegaram a intitular a região de “Província de Jesus”, terminou de modo trágico, com os índios sendo escravizados pelos colonizadores. Seguiu-se aos franciscanos, a presença dos padres jesuítas, aqui vindos em rápidas visitas, desde o primeiro deles entre nós, Pe. Leonardo Nunes, que esteve em Laguna, em 1553. Os carmelitas também passaram pela Ilha e prestaram assistência religiosa aos seus moradores.

Em 1673 teve início o povoamento definitivo da Ilha de Santa Catarina. Francisco Dias Velho funda Desterro em 1678. Foi ele quem providenciou também a ereção de uma Igreja em honra a Nossa Senhora do Desterro. Alguns historiadores dizem ter sido o próprio Dias Velho quem mandou edificar a dita Capela, para outros, o que é mais provável, na sua chegada a dita Capela já existia, pois, um livro do arquivo da Ordem Terceira de São Francisco diz que a primeira Igreja que teve a Ilha, foi construída no centro da atual Praça XV de novembro, no ano de 1651.

A Paróquia de Nossa Senhora do Desterro é criada em 1712 pelo Alvará Régio de 05 de março. O primeiro Batizado registrado na Ilha foi celebrado a 15 de julho de 1715, por Frei Tomé Bueno. Nos meados desse século, surgem na Ilha as paróquias de Santo Antônio de Lisboa e Nossa Senhora da Conceição da Lagoa. Só em 1748, chegam os primeiros casais açorianos, que se estabeleceram especialmente na Ilha de Santa Catarina e vizinhanças. Os povos indígenas, embora dizimados, continuaram resistindo, e hoje formam quatro comunidades em terras de nossa Arquidiocese. Os povos indígenas, com os portugueses e negros e, depois, os açorianos, formam a base histórica dessa população.

Aos 23 de março de 1726, pelo Ouvidor Mor Geral de Paranaguá, Dr. Antônio Alves Lainer Peixoto, foi elevada a povoação da Ilha à categoria de Município, desmembrada de Laguna, com a denominação de Nossa Senhora do Desterro. O Município estendia-se, então, desde Garopaba, ao Sul, até o Rio Camboriú, ao Norte.

Em 1823 a Vila de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de Cidade. E no mesmo século, no 1º governo de Hercílio Luz (1894-1898), através da Lei 111 de 1º de outubro de 1894, Desterro passou a chamar-se Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto.
Aos 19 de julho de 1908, por ocasião da criação da Diocese de Florianópolis, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à condição de Sé Episcopal (Catedral). E em 1922, por ocasião dos 100 anos da Independência, Dom Joaquim pediu ao Papa Pio XI que colocasse Santa Catarina de Alexandria como co-padroeira.
2. A Comunidade de Fé

A criação das Paróquias de Nossa Senhora das Necessidades e Santo Antônio – Santo Antônio de Lisboa – em 27 de abril de 1750 e de Nossa Senhora da conceição da Lagoa – Lagoa da Conceição – em 20 de junho de 1750, favoreceu o atendimento espiritual dos povoados do norte da Ilha de Santa Catarina. No século XIX a situação melhorou com a fundação de novas Paróquias: Paróquia de São João Batista do Rio Vermelho, em 11 de agosto de 1831 (atual Bairro do Rio Vermelho) e São Francisco de Paula em abril de 1833 (atual Bairro de Canasvieiras).

Segundo os dados levantados, a Comunidade Nossa Senhora dos Navegantes, localizada atualmente no Bairro do Santinho foi fundada em 1839, embora conta-se que foi por volta 1881, que tenha sido mandado construir, entre os cômoros, por um abastado lavrador do lugar uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Navegantes. Também, foi fundada nesse século a Comunidade do Senhor em 1885, na localidade da atual Vargem do Bom Jesus.

O primeiro vigário da Paróquia de São João do Rio Vermelho foi o único residente: Pe. Antônio de Santa Pulcheria Mendes de Oliveira que permaneceu aí de 1831 a 1867. Durante esse período a Paróquia de São Francisco de Paula não teve vigário residente, mas foi atendida pelos vigários:
1. Pe. Vigário Dr. Caetano Araújo Furtado de Mendonça (1829 – 1838)
2.Pe. Francisco José de Souza (1838 – 1854)
3.Pe. Manoel Amâncio Barreto (1854 – 1856)
4.Pe. Francisco Pedro da Cunha (1856 – 1866)
5.Pe. Encomendado Miguel Murno (1866 – 1868)
6.Pe. Manoel Coelho Gama d’Eça (1868 – 1869)

Segundo os registros de 1869 a 1879 Pe. José Fabriciano Pereira Serpa tornou-se o Vigário de Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras, Lagoa da Conceição e Rio Vermelho. Em 1884 Pe. Francisco Luiz do Livramento assumiu as Paróquias da Trindade, Lagoa e Rio Vermelho. Cônego José Fabriciano Pereira Serpa continua vigário nas outras áreas. Em 1891, com a saída do Pe. Livramento, os cuidados sobre o Rio Vermelho retornam para o Pe. Serpa que foi vigário da região até sua morte em 1922.

Com a morte do Pe. Serpa as Paróquias de Santo Antônio, Canasvieiras, Rio Vermelho, Lagoa da Conceição e também Ribeirão da Iha foram anexadas à Paróquia da Santíssima Trindade. Ou seja, fora o centro, toda a ilha passa a ser uma só Paróquia.

Os chamados Vigários da Ilha são:
1.Pe. Bernardo Bläsing (1922 – 1924)
2.Pe. João Casale (1924 -1927)
3.Pe. Bernardo Bläsing (1927 – 1935)
4.Frei Modestino Oechtering, OFM (1937)
5.Frei Câncio Berri, OFM (1941)
6.Pe. Pedro Storms, SCJ (1941)
7.Pe. Jorge Brand, SCJ (1943)
8.Pe. Fidélis Tomelin, SCJ (1943)
9.Pe. Heriberto Borgert (1946 e 1948)
10.Pe. Amilcar Gabriel (1947 – 1953)
11.Pe. Evaldo Pauli (1953 – 1959)

Nesse Período mais duas comunidades são formadas na região: São Luiz Gonzaga, na Cachoeira do Bom Jesus em 1950 e Sana Catarina de Alexandria no Sítio Capivarí em 1954.

A partir de 1959 a paróquia da Trindade é assumida pelos Capuchinhos. Os frades passam a atender todo o norte da Ilha. São eles:

01. Frei Ambrósio Bagnoli, OFM Cap. (1959 – 1964)
02. Frei Fidélis de Colombo, OFM Cap. (1964 – 1967)
03. Frei Timóteo de Siqueira Campos, OFM Cap. (1967 – 1973)
04. Frei Sebastão Vieira dos Santos, OFM Cap. (1973- 1976)
05. Frei Bernardo Francisco Felipe, OFM Cap. (1976 – 1979)
06. Frei Danilo Biassis, OFM Cap. (1979-1981)
07. Frei Luiz Wituck, OFM Cap. (1981 – 1984)

A expansão demográfica fez com que logo se começasse a pensar em novamente se dividir este território, criando novas Paróquias. A escassez de padres dificultava a iniciativa, enquanto os Padres Capuchinhos continuavam a prestar assistência religiosa a esta população.

Um Decreto da Cúria Metropolitano, com data de 19 de fevereiro de 1984, finalmente cria a Paróquia de São Francisco Xavier, com sede no Bairro de Saco Grande II. A Paróquia da Santíssima Trindade ficou com o Bairro da Trindade e mais a Lagoa da Conceição e sua periferia. A Paróquia de São Francisco Xavier atenderia todo o Norte da Ilha, englobando as antigas paróquias de Rio Vermelho, Canasvieiras e Santo Antônio. Seus Párocos:

1. Pe. José Artulino Besen (1984 – 1985)
2. Pe. Sérgio Maykot (01.02.1986 – 1992)
3. Pe. Egídio Alberto Bertotti (1992 – 1997)

Durante esse tempo de paróquia São Francisco Xavier, além de ser atendida pelos dois primeiros párocos, foi atendida também pelos vigários coadjutores Hélcion Ribeiro e Siro Manoel de Oliveira.

Muito embora já há tempo se sentisse a necessidade de criação de uma Paróquia para atender à população do norte da Ilha de Santa Catarina, somente em fins de 1995 foi que se viabilizou esta aspiração daquela população.

Um Decreto da Cúria Metropolitana datado de 28 de dezembro de 1995 cria a Quase Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Na mesma data é nomeado seu primeiro Pároco, Pe. Idonizete Krüger. Seus sucessores foram: Pe. Luís Prim (1997) e Pe. Dr. Vilmar Vicente (1998)

Em meados desse ano é criada definitivamente a Paróquia Sagrado Coração de Jesus.
03. Escrevendo a própria História

A Paróquia Sagrado Coração de Jesus foi criada a 06 de julho de 1998 pelo Decreto nº 169/98 de Dom Eusébio Oscar Scheid, com o território totalmente desmembrado da Paróquia São Francisco Xavier – Monte Verde. A nova Paróquia dos Ingleses na data de sua criação era formada por 10 comunidades: São João Batista, Nossa Senhora dos Navegantes, Senhor Bom Jesus, São Luiz Gonzaga, Santa Catarina de Alexandria, São Pedro, São Francisco de Paula, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Guadalupe, São José.

Nos cinco anos seguintes a sua criação foram fundadas outras dez comunidades eclesiais: Sagrado Coração de Jesus (1998); São Francisco de Assis (1998); Divino Espírito Santo (2000); Santa Terezinha do Menino Jesus (2000); Santa Paulina (2001); Santa Rita de Cássia (2001); Santos Arcanjos (2001); Beata Tereza de Calcutá (2002); São Paulo Apóstolo (2002); Santo Antônio de Pádua (2004).

Em 2004 a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus cedeu parte de seu território para criação da nova Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe – Canasvieiras. Então hoje, a Paróquia é formada pelas seguintes comunidades:

01. São João Batista – Rio Vermelho
02. Nossa Senhora dos Navegantes – Santinho
03. Senhor Bom Jesus – Vargem do Bom Jesus
04. São Luiz Gonzaga – Cachoeira do Bom Jesus
05. Santa Catarina de Alexandria – Sítio do Capivarí
06. Sagrado Coração de Jesus – Centro – Ingleses
07. Santa Terezinha do Menino Jesus – Vila União
08. Santa Paulina – Muquém
09. Santa Rita de Cássia – Costa do Moçambique
10. Santos Arcanjos – Engenho/Capivari de cima
11. Beata Tereza de Calcutá – Comunidade do Siri
12. Santo Antônio de Pádua – Caminho do Mar

O primeiro Pároco assumiu a Paróquia na data da sua fundação: Pe. Márcio Alexandre Vignoli, que permaneceu até 21/11/2003. Seu sucessor foi Pe. Vânio da Silva, até 11/01/2009. E no dia 14 de novembro de 2008 foi nomeado pároco o Pe. Mário José Raimondi tomando posse no dia 24 de janeiro de 2009.

Nesse período a paróquia já contou com cinco vigários: Pe. Dr. Vilmar Adelino Vicente: 06/07/1998 – 01/12/1999; Pe. Isaltino Dias: 20/12/1999 – 07/09/2000; Pe. Cláudio Fronza: 10/02/2001 – 15/01/2002; Pe. Mario José Raimondi: 24/05/2003 – 02/02/2004; Pe. Cláudio José Zimermann: 29/04/2007.

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