Para receber a compostela, o peregrino pode iniciar o trajeto no Brasil e completá-lo na Espanha

A Igreja celebra nesta quarta-feira, 25 de julho, São Tiago Maior, e neste dia será comemorado também um ano do Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela, o que não poderia ser feito de outro modo a não ser com uma peregrinação.

Em 29 de junho de 2017, foi inaugurado em Florianópolis (SC) o primeiro trecho do Caminho de Santiago de Compostela no continente americano oficialmente integrado ao trajeto histórico, reconhecido pela Catedral de Santiago e abençoado por Dom Julián Barrio Barrio, Arcebispo do território espanhol que abriga o santuário compostelano.

Na capital catarinense, o percurso parte da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, passando pelas igrejas São Pedro e Nossa Senhora dos Navegantes até chegar ao Santuário Sagrado Coração de Jesus, perfazendo 21 quilômetros.

Para receber a compostela (o certificado de conclusão do Caminho) é preciso percorrer pelo menos 100 quilômetros. Assim, o peregrino pode percorrer o trecho restante para completar todo esse trajeto na Espanha, com o caminho de La Coruña a Santiago.

Os idealizadores do Caminho Brasileiro, Fábio Tucci Farah e Mariana Mansur, foram os primeiros a completar esta peregrinação em 24 de julho de 2017.

Neste ano, para comemorar o primeiro aniversário do Caminho Brasileiro, um grupo fez uma peregrinação diferente. Primeiramente, seguiram para o Oriente Médio, desembarcando na Jordânia, onde “Cristo foi batizado por seu primo, São João Batista, e iniciou a vida pública”.

No itinerário, esses peregrinos passaram também pela “igreja de São Nicolau, em Sídon, no Líbano”, onde, segundo a tradição, “São Pedro e São Paulo tiveram o último encontro”, além de outros locais.

Porém, como explicam, esta primeira fase de “peregrinação do outro lado do Atlântico tinha um ponto final: a Tour Saint-Jacques (Torre de São Tiago)”. Por isso, desembarcaram em Paris (França) para visitar o “remanescente de um santuário destruído durante a Revolução Francesa”.

Esta torre, conforme especificam, “foi, durante séculos – e continua sendo –, ponto de partida de milhares de peregrinos a Santiago de Compostela”.

Agora, no dia de São Tiago, os idealizadores do Caminho Brasileiro promovem a segunda etapa dessa peregrinação comemorativa, percorrendo o trecho em Florianópolis entre a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe e o Santuário Sagrado Coração de Jesus.

Nesta ocasião, contarão com a presença das relíquias do Apóstolo São Tiago que estiveram também na inauguração do Caminho Brasileiro. São dois fragmentos ósseos que pertencem ao Oratorium Sanctus Ludovicus, sob custódia de Fábio Tucci Farah.

A experiência de Santiago de Compostela, segundo um Arcebispo

Em um recente artigo, o Arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Murilo Krieger, falou sobre a experiência de uma peregrinação, em particular a de Santiago de Compostela, e indicou três palavras que podem resumi-la: caminho, esperança e anúncio.

Quanto à primeira – caminho –, o Arcebispo explicou que “peregrinar significa partir, sair, deixar”. “Não é possível caminhar sem sair, sem se desapegar das coisas e da própria casa. Caminhar significa, também, procurar”.

Em relação à esperança, lembrou “quantos estão imersos numa cultura de tristeza e morte! Quantos estão cansados e vivem envolvidos pelo pessimismo!”. E reforçou que “a esperança tem um nome: Jesus Cristo”.

Já sobre a terceira palavra – anúncio –, Dom Murilo ressaltou que “não há mensagem tão forte como a de quem, motivado pela fé, dedica sua vida ao irmão”.

Dom Murilo Krieger lembrou que Santiago de Compostela começou a receber muitos peregrinos “a partir do século VI e, principalmente, do século IX”, os quais “enfrentavam um caminho marcado pela penitência e oração”.

Porém, “mais do que dirigir-se a um lugar concreto – Santiago –, o peregrino buscava fazer a mais difícil das viagens: aquela que o levaria ao interior de si mesmo, num vigoroso processo de conversão”.

“Santiago de Compostela continua exercendo, ainda hoje, um imenso fascínio sobre os que são sedentos de Deus. Milhares de peregrinos percorrem a cada ano as mesmas estradas, também eles guardando em seu coração mil histórias para contar”, sublinhou.

Segundo Dom Murilo, não são poucos os que, ao percorrer um dos vários caminhos que levam a Santiago de Compostela, “buscam um sentido para sua vida – sentido que não encontraram ao longo das outras estradas que já haviam percorrido”.

“Outros – acrescentou –, cansaram-se de fugir de si mesmos e fazem uma nova tentativa de se conhecerem melhor”.

Entretanto, ao reconhecer que nem todos têm a possibilidade de realizar tal peregrinação, o Arcebispo indicou que “não é preciso fazer aquele percurso para alguém ter um coração de peregrino”.

“O importante é não se iludir: a viagem ao interior do próprio coração continua sendo a mais difícil e exigente das viagens”, completou.

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